Actualmente, não se conhece nenhuma civilização ou agrupamento que não possua manifestações musicais próprias. Embora nem sempre seja feita com esse objectivo, a música pode ser considerada como uma forma de
arte, considerada por muitos como sua principal função.
Há evidências de que a música é conhecida e praticada desde a
pré-história. Provavelmente a observação dos sons da
natureza tenha despertado no homem, através do sentido auditivo, a necessidade ou vontade de uma actividade que se baseasse na organização de
sons. Embora nenhum critério científico permita estabelecer seu desenvolvimento de forma precisa, a
história da música confunde-se, com a própria história do desenvolvimento da
inteligência e da
cultura humanas.
Assim como existem várias definições para música, existem muitas divisões a agrupamentos da música em géneros, estilos e formas. Dividir a música em géneros é uma tentativa de classificar cada composição de acordo com critérios objectivos que não são sempre fáceis de definir.
Uma das divisões mais frequentes separa a música em grandes grupos:
- Música erudita - a música tradicionalmente dita como "culta" e no geral, mais elaborada. É erroneamente conhecida como "música clássica", pois a música clássica real é a música produzida levando em conta os padrões do período musical conhecido como Classicismo. Os seus adeptos consideram que é feita para durar muito tempo e resistir a modas e tendências. Em geral, exige uma atitude contemplativa e uma audição concentrada. Alguns consideram que seja uma forma de música superior a todas as outras e que seja a real arte musical. Porém, deve também ser lembrado que mesmo os compositores eruditos várias vezes utilizaram melodias folclóricas para que em cima dela fossem feitas variações, e a música erudita também pode ser sacra. Alguns compositores chegaram até a apenas colocar melodias folclóricas como o segundo sujeito de suas músicas (como Villa-Lobos fez extensamente). Os géneros eruditos são divididos sobretudo de acordo com o períodos em que foram compostas ou pelas características predominantes.
- Música popular - associada a movimentos culturais populares. Conseguiu se consolidar apenas após a urbanização e industrialização da sociedade e se tornou o tipo musical icónico do século XX. Se apresenta actualmente como a música do dia-a-dia, tocada em shows e festas, usada para dança e socialização. Segue tendências e modismos e, muitas vezes, é associada a valores puramente comerciais. Porém, ao longo do tempo, incorporou diversas tendências vanguardistas e inclui estilos de grande sofisticação. É um tipo musical frequentemente associado a elementos extra-musicais, como textos (letra de canção), padrões de comportamento e ideologias. É subdividida em incontáveis géneros distintos, de acordo com a instrumentação, características musicais predominantes e o comportamento do grupo que a pratica ou ouve.
- Música folclórica ou tradicional - associada a fortes elementos culturais de cada grupo social. Tem carácter predominantemente rural ou pré-urbano. Normalmente são associadas a festas folclóricas ou rituais específicos. Pode ser funcional (como canções de plantio e colheita ou a música das rendeiras e lavadeiras). Normalmente é transmitida por imitação e costuma durar décadas ou séculos. Incluem-se neste género as cantigas de roda e de ninar.
- música religiosa, utilizada em liturgias, tais como missas e funerais. Também pode ser usada para adoração e oração ou em diversas festividades religiosas como o Natal e a Páscoa, entre outras. Cada religião possui formas específicas de música religiosa, tais como a música sacra católica, o gospel das igrejas evangélicas, a música judaica, os tambores do candomblé ou outros cultos africanos, o canto do muezim, no Islamismo, entre outras.
As apresentações musicais são cada vez mais realizadas pelo mundo, seja em datas festivas, ou em compromissos de artistas. A música sempre foi uma atracção, desde a antiguidade.
Cada uma dessas divisões possui centenas de subdivisões. Géneros, subgéneros e estilos são usados numa tentativa de classificar cada música. Em geral é possível estabelecer com um certo grau de acerto o género de cada peça musical, mas como a música não é um fenómeno estanque, cada músico é constantemente influenciado por outros géneros. Isso faz com que subgéneros e fusões sejam criados a cada dia. Por isso devemos considerar a classificação musical como um método útil para o estudo e comercialização, mas sempre insuficiente para conter cada forma específica de produção. A divisão em géneros também é contestada assim como as definições de música porque cada composição ou execução pode se enquadrar em mais de um género ou estilo e muitos consideram que esta é uma forma artificial de classificação que não respeita a diversidade da música. Ainda assim, a classificação em géneros procura agrupar a música de acordo com características em comum. Quando estas características se misturam, subgéneros ou estilos de fusão são utilizados em um processo interminável.
Os estilos musicais ao entrar em contacto entre si produzem novos estilos e as culturas se misturam para produzir géneros transnacionais. O
bluegrass dos
Estados Unidos da América, por exemplo, tem elementos vocais e instrumentais das tradições anglo-irlandesas, escocesas, alemãs e afro-americanas que só podem ser fruto da produção do século XX.
Outra forma de encarar os géneros é considerá-los como parte de um conjunto mais abrangente de manifestações culturais. Os géneros são comummente determinados pela tradição e por suas apresentações e não só pela música de fato. O
Rock and roll, por exemplo, possui dezenas de subgéneros, cada um com características musicais diferentes mas também pelas roupas, cabelos, ornamentação corporal e danças, além de variações de comportamento do público e dos executantes. Assim, uma canção de
Elvis Presley, um
heavy metal ou uma canção
punk, embora sejam todas consideradas formas de
rock, representam diversas culturas musicais diferentes.
Também a música erudita, folclórica ou religiosa possuem comportamentos e rituais associados. Ainda que o mais comum seja compreender a música erudita como a acústica e intencionada para ser tocada por indivíduos, muitos trabalhos que usam samples, gravações e ainda sons mecânicos, não obstante, são descritas como eruditas, uma vez que atendam aos princípios estéticos do erudito. Por outro lado, um trecho de uma obra erudita como os "Quadros de uma Exposição" de
Mussorgsky tocado por
Emerson, Lake and Palmer se torna
Rock progressivo, não só porque houve uma mudança de instrumentação, mas também porque há uma outra atitude dos executantes e da plateia.
As composições musicais são classificados em três grandes grupos:
Suite
Conjunto de danças antigas, no mesmo tom, de carácter diferente, executadas sucessivamente. A palavra suite é francesa; para os italianos usa-se a palavra Partita.
J. S. Bach escreveu dezenas de suites, sendo reunidas em dois álbuns Suites Francesas e Suites Inglesas.
Prelúdio
Peça musical de forma livre. Não tem compasso nem andamento determinado. Serve muitas vezes como introdução de peças musicais maiores como óperas, compositores como
Verdi,
Bizet, e muitos outros utilizavam o prelúdio como aberturas de suas
óperas.
Sonata
A forma musical mais elevada da
música erudita. Geralmente divide-se em 3 ou 4 partes chamadas de tempos ou movimentos. Os movimentos de uma sonata devem ser de características bem diferentes, e na sonata clássica obedecem à seguinte ordem:
· 1º Movimento: Allegro, um movimento bem rápido;
· 2º Movimento: Adagio, um movimento mais lento e tranquilo;
· 3º Movimento: uma dança, que pode ser um Menuetto, uma
Valsa, ou até exemplos mais raros como uma Sarabanda (ver abaixo);
· 4º Movimento: um movimento com carácter majestoso que transmita a ideia de final deste movimento.
Algumas Sonatas não obedecem a essa regra e são denominadas Sonatas-Fantasias, como por exemplo, a conhecidíssima Sonata ao Luar de
Beethoven. Quase todos os compositores têm escrito sonatas para
piano,
violino,
flauta,
violoncelo, e etc. Destacam-se compositores de sonatas como
Beethoven,
Mozart,
Haydn e
J. S. Bach. Há sonatas que são escritas para mais de um instrumento que tem o nome de: duo, trio, quarteto e etc, porém a estrutura é sempre a mesma.
Quando a peça é escrita para uma orquestra, chama-se
Sinfonia, ou quando é escrita para orquestra, mas com um instrumento principal solando chama-se
Concerto, obedecendo sempre o número de movimentos que para o concerto são somente três e para sinfonia variam de três movimentos a cinco movimentos.
Fuga
É uma composição musical de estilo complexo que reúne arte e ciência. Consiste a fuga no desenvolvimento do tema principal (Sujeito), de acordo com certas e determinadas leis, e com a qual tudo mais, directa ou indirectamente se relaciona. Pelas entradas sucessivas do tema principal, sempre em vozes diferentes, tem-se a impressão de que as vozes procura fugir e se perseguem umas ás outras, vindo daí a origem da palavra Fuga. Diversos compositores do
barroco escreveram fugas para diversos instrumento, destacando-se as obras
A Arte da Fuga e a "Toccata e Fuga em Ré Menor para Órgão" de
J. S. Bach.
Música Religiosa
Neste género musical encontram composições como
Missas,
Oratórios,
Orações em
latim como Ave Maria, Salutaris e etc, guardando carácter de religiosidade acentuada.
Ballet
Ópera
É uma grande composição que exige muita força de vontade do compositor para ser criada, pois o compositor deve criar uma música para cada instrumento da orquestra, e ainda fazer a música para o libreto, criando assim uma música harmoniosa. A
ópera geralmente é dividida em actos, e pode ser séria, dramática, ou cómica (ópera bufa). O inventor deste grande género musical que envolve encenação, teatro, canto, música, iluminação, e até às vezes
balé, foi o
compositor italiano renascentista Cláudio Monteverdi com a sua
ópera L'Orfeo, ópera de 5 actos. Outros compositores dedicaram a vida inteira à
ópera, como:
Verdi (óperas como
Aida, Um Baile de Máscaras,
Rigoletto),
Puccini (óperas como
Madame Butterfly,
Turandot,
La Bohème),
Rossini (
O Barbeiro de Sevilha,
La Cenerentola, Guglielmo Tell, L'Italiana in Algeri),
Mozart (óperas como
O Rapto do Serralho,
As bodas de Fígaro,
A Flauta Mágica) e centenas de outros compositores.